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22 de fev de 2010

NOS JOGOS DA VIDA - " A história de vida de Hélio de Araújo "


A vida é um palco de teatro, onde se tem uma peça sem fim, um enredo inacabado. Cheio de dramas, incertezas, escolhas, felicidades, superações. Mesmo que para alguns seu real sentido apareça por meio de uma tragédia, na flor da idade, nos seus quase 22 anos. Foi o que aconteceu com Hélio de Araújo. Ele, professor, escritor e ativista na luta de pessoas com deficiência, por melhores condições de vida e pela inclusão social destas.


Trabalhava no comércio de Petrolina (PE) e precisou ir fazer um serviço na filial de Casa Nova (BA). “Bebi umas cervejas depois que conclui o meu trabalho e voltei para Petrolina, guiando minha moto, brincando na pista, fazendo ziguezague. Acabei caindo num barranco de cinco metros, que tinha umas pedras, quebrei o pescoço e fui resgatado duas horas depois.”, conta Hélio.

Após ser salvo, foi encaminhado ao Hospital Dom Malan, mas pelo fato da máquina de radiografia estar quebrada, teve que ser transferido para o Hospital Pró-Matre na cidade de Juazeiro (BA), ficando na Unidade de Tratamento Intensivo(UTI), com risco de morte. E o diagnóstico dado pelos médicos, fora de que Hélio, por ter sofrido uma lesão grave, estava com tetraplegia, ou seja, ele tinha perdido todos os movimentos do pescoço para baixo.

Além de estar confuso e triste com o acidente; a família de Hélio não enxergando a sua melhora resolve levá-lo para a cidade de São Paulo, no intuito de procurar um hospital especializado, em seu caso. E num total de quase dois anos de tratamento, com ajuda de fisioterapeutas, psicólogos, urologistas, isto é, com o trabalho de toda uma equipe médica específica, Hélio obtém algumas vitórias e volta a Petrolina, pois seu tratamento poderia continuar em casa.

Mesmo utilizando a cadeira de rodas, demorou um pouco para que ele aceitasse o momento que estava passando, travando assim, um processo lento e confuso dentro de si. Entretanto, ao ficar um tempo no hospital e acabar mantendo contato com as realidades de outras pessoas, as quais estavam em situações melhores ou piores que as dele; isto o impulsiona a lutar pela vida, ser feliz e virar um ativista pela questão dos direitos de pessoas com algum tipo de deficiência física.

Sofrendo preconceito da sociedade petrolinense, decide dar o primeiro passo na sua “nova vida”, começa por um emprego simples, dar aulas particulares de matemática na sua residência, pois, antes de sofrer o acidente estava matriculado na faculdade e não pôde tanto começá-la, quanto concluí-la.

Decide então por especializar-se no ensino da matemática. Presta vestibular na Faculdade de Formação de Professores de Petrolina (FFPP), conhecida agora como Universidade do Estado de Pernambuco (UPE). Travou uma luta constante e árdua, durante os quatro anos de curso, contando sempre com a ajuda dos colegas de sala de aula, que o admiravam e o encorajavam a vencer os preconceitos. Conclui bravamente e vira professor de matemática.

Inscreve-se num concurso público, para o cargo de professor e é aprovado. Começa a dar aulas para crianças da quarta série até jovens do terceiro ano do ensino médio, nas escolas municipais de Petrolina. Trabalhou também como professor de matemática e ciências, no Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA), num período de quase seis anos.

Escreve um livro contando toda sua vida, uma espécie de autobiografia, intitulado “Andanças”. E dois anos depois lança outro livro “O Quarteto”, em formato de novela, no qual conta histórias fictícias de quatro personagens, que são portadores de deficiência física e vivem nas cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Lança também o jornal “Veredas”, que tinha o intuito de chamar atenção para as condições, em que as pessoas com deficiência estavam passando ou para premiar alguma empresa parceira, dura quatro anos. Publica ainda dois ou três cordéis sobre a questão da deficiência e tem um blog, onde publica textos, poesias, seja de situações ou momentos vividos por ele ou por outras pessoas.

Atualmente, sua luta é pela questão da acessibilidade de pessoas com deficiência na região do Vale do São Francisco. Realiza palestras, eventos e vai a congressos. É também presidente do Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência (CCD), onde proporciona reuniões com os associados e mostrando que todos podem ser felizes, mesmo com as adversidades e limitações existentes.

O professor é casado há sete anos, com Elieda de Araújo. E sua história de amor com ela, já acontece por volta de 12 anos e como prêmio, apareceram nessa trama, os seguintes personagens: Eduardo, 7 anos; Sofia, 8 anos e Fernando, com 9 meses, as razões da vida de sua vida.

Hélio de Araújo é um grandioso exemplo tanto de vida, como de superação, mostrando que com as reviravoltas da vida, deve-se não se lamentar, mas sim levantar e continuar a luta pelos seus objetivos, independente da maneira como aconteça, para alcançar a vitória desejada. “A vida é para todos.”, afirma o professor de matemática, paranaense de nascença, mas petrolinense de coração, ao falar um pouco da sua história de vida.


Por: Emaísa Lima

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